Moral & Bons Costumes
Músicas

Histórias da Moral & Bons Costumes

Aqui você encontra histórias verdadeiras (por incrível que pareça) e nem tão verdadeiras que aconteceram com a Moral & Bons Costumes ou com integrantes dela. Pois é... a Moral, além de tocar bobagens também escreve UM MONTE de bobagens.



ARISTIDES, TÃO QUERENDO ROUBAR MINHA BICICLETA!

Verão sempre lembra praia, e foi no verão de 1984 que isso ocorreu...

A Moral nunca tinha viajado junta, muito menos para praia. Quando ocorria alguma viagem, era com alguns integrantes, mas nunca com a banda toda. Pensando nisso, resolvemos marcar em um feriado na casa de veraneio do Largura, na Praia Grande, para escrever letras, fazer músicas, organizar shows e coisas deste tipo. A casa era pequena: um quarto, sala e cozinha, garagem pra dois carros, mas era maior que a banda. Por isso resolvemos convidar, como sempre, o performático amigo Pancho.

Preto (assim era chamado o Pancho pelos amigos) por sua vez convidou o Lão, que também fazia algumas presepadas no palco com a gente. Esse por sua vez chamou o Tavo, primo dele, que chamou o Paulo, seu irmão, que convidou o Bento, que chamou o Elder japonês, que incluiu o Orlando, que chamou o Baiano, que levou seus irmãos Agnaldo e Pakal, que chamou o Poka, que convidou o Falinha e o Romão. Ou seja, o que era uma casa para quatro integrantes da Moral virou um albergue pra 17 marmanjos.

Realmente ficou na história. Até para os vizinhos: imagine toda essa galera chegando e descarregando os mantimentos (que era 97% etílico). Fazia-se até arroz com pinga! Foram duas caixas de cachaça e uma de coquinho, além das caixas e caixas de cerveja. O bar que havia em frente à casa ficou meio preocupado, pensando que era um novo ponto que estava pra ser aberto. O número de talheres, pratos e panelas não comportava a demanda. Fazia-se fila pra pegar senha pra comer. De manha, no café, tomava-se coquinho com leite. Isso sem contar as outras drogas, maconha, lança perfume, e a coqueluche: o gás de geladeira.

No meio a essa batalha para conseguir pratos e talheres, além de pegar a senha e assegurar seu local, tudo ia bem: os que gostavam de beber, bebiam e os que curtiam fumar, fumavam. Mas logo chegou o momento de experimentar o gás de geladeira. Esse gás, quando ingerido por via oral, reage com o organismo fechando a traquéia fazendo com que você fale com uma voz bem diferente da sua. Quando o efeito vai passando, a voz vai voltando ao normal. Essa é uma droga que pode desencadear doenças horríveis, mais não sabíamos disso. Era muito engraçada a reação das pessoas a essa voz alterada.

Pelo fato da casa estar completamente lotada, Frederico e Bocca, ambos já meio chapados, resolveram dar umas voltas pela vila a fim de respirar um ar menos viciado, andando pelas ruas vizinhas conversando sobre a banda, sobre as músicas etc. Avistaram um homem encostando uma bicicleta na calçada. Se aproximaram e perguntaram ao cara se ele poderia emprestar a bicicleta para eles darem uma volta. O homem ficou super assustado e saiu gritando pelo corredor da casa:

Aristides, Deoclécio, Schoppincenterson, Agamênon, José Arimatéia, tão querendo roubar minha bicicleta!

Neste momento não se pensou em mais nada além de correr (e muito) e escapar daquela encrenca. Correram de volta à casa do Largura, porém (Ah, porém...) o dono da bicicleta e mais uns dois deram a volta pelo outro lado e acabaram encontrando os dois em frente à casa.

"Seis tavam querendo me robá a bicicreta! - dizia o homem ainda nervoso.

"Ô bicho, que nada, a gente pediu pra dar uma volta." - disse o Bocca querendo arrumar a situação.

"Bicho não, cabra! Eu só é home!!!" - e o cidadão ainda continuava a querer crescer...

Com essa gritaria, todos os quinze restantes na casa resolveram sair pra entender o que estava ocorrendo. Foi ai que o "Home da bicicreta" começou a murchar, murchar... Ele não esperava que, de uma casa tão pequena como aquela, ia sair tanto nego mal encarado que nem saiu de lá. Vendo que o negócio ficou feio pra ele, que a chapa esquentou (como se diz hoje em dia), deu a volta junto aos seus dois amigos e foi-se embora.

Na casa a gozação foi grande e aumentou mais ainda quando o Bocca lembrou que nem de bicicleta ele sabia andar...

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PEGA MAIS NÃO PEGA TUDO NÃO

Aniversário de Frederico Alfredo Rossi, não foi organizado nenhum mega evento, apenas a presença da Moral (Largura, Bocca e Alemão), além do performático Pancho e a família do aniversariante.

Na verdade, essa festa era um motivo pra Moral se reunir, tocar todas as músicas de sua autoria (que não eram muitas) e tomar tudo que estivesse ao nosso alcance. Um ensaio etílico, vamos assim chamar. Porém (ah porém) o Alemão levou sua namorada e sua cunhadinha.

Após a entrega dos presentes do Frederico (um magi-click, uma casaca linda comprada nas lojas barateiro e outras coisinhas mais) foi chegado o momento da seguinte frase:

Galera acabou tudo, não tem mais o que beber (bebemos tudo da casa do Luizinho e da casa do irmão dele também). Nessa altura (e coloca altura nisso), a galera tava bem animada - as únicas que não estavam entendendo nada era as convidadas do alemão.

Bem, chegou a hora de ir embora. Claro, todos no carro da Alemão, pois era o único motorizado naquele momento. Banco de trás: Bocca, Largura, Frederico e Pancho; no banco da frente: Alemão, sua namorada e a cunhada. Vale ressaltar que estamos falando de um Fiat 147 todo arrumadinho, tinha até teto solar (o qual nos serviu brilhantemente).

Após todos se ajeitarem no carro, fomos sentido ABC. Não é longe, mas da forma que todos se encontravam parecia uma eternidade. Foi quando o primeiro marujo não agüentou e começou a vomitar. Largura - essa foi a vítima - vomitava na mão e jogava pra fora do carro. Enquanto isso, Frederico, Pancho e Bocca (a essa altura em pé no banco com o corpo pra fora do teto solar) continuavam a beber.

Nesse momento o Alemão, já nervoso, resolve parar o carro. Isso em frente ao fórum de São Caetano do Sul. Pediu para que todos saíssem do carro pra tentar limpar o sujeira que estava incomodando sua namorada e sua cunhada. Os rapazes desceram do carro, subiram no muro do fórum e aproveitaram para descarregar um pouco da cerveja, fazer discursos, cantar etc.

Voltaram ao carro e todos que lá ficaram estavam com uma cara não muito amigável. Porém (aaah porém), no estado que estavam, pouco importava cara feia de alguém. Seguiram rumo a Santo André para o Chock (esse era o bar na mente dos rapazes). Continuou a cantoria, os discursos e as vomitadas dentro do carro. Isso foi inervando o Alemão, que de repente parou o carro e pediu para que todos descessem e fossem a pé ao destino. "Chega! SAIAM DO CARRO!"

Foi o que os pobres rapazes fizeram: desceram do carro e o Alemão se foi com suas convidadas, todas azedas graças ao Largura.

Neste momento tudo mudou, pois o Largura não conseguia andar sozinho e naquela época o menino já era pesado. O Pancho saiu do carro e sumiu (será que ele saiu do carro mesmo? Pois ninguém mais o viu!), ficaram o Bocca e o Frederico encarregados de segurar o Montureira em pé. Pararam em uma padaria, compraram umas duas tônicas, deram ao Largura e esperaram uma melhora significativa pra poder seguir, agora rumo a casa do Bocca, pois estavam muito chateados com o Alemão. "Onde já se viu? Fazer isso com os amigos da banda..."

Após uns vinte minutos, colocaram o Largura ,já inconsciente, em um táxi (um Corcel 2 branco) e seguiram até a casa do Bocca. No caminho a paisagem vista do táxi, principalmente pra quem estava atrás, ia mudando de acordo a esvaziada que o Largura dava em seu estômago (o "hôme" vomitou mais, muito, muito mesmo). Chegando à casa, os rapazes conscientes perguntaram quanto tinha ficado a viagem, e o preço mencionado pelo taxista com certeza era o da viajem e da lavagem que o táxi, pois a madrugada havia acabado pra ele também. Após o anúncio da "facada", tiveram que recorrer ao bolso também do Largura, afinal ele era o sujeito da frase: "Vomitaram no meu táxi, quem vomitou? O Largura."

E foi nesse exato momento que, independente do estado alcoólico que o Largura se encontrava, quase inconsciente ao o acordarem e solicitarem sua carteira, o mesmo adverte:

"Pega, mas não pega tudo não..."

É mole?

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A HISTÓRIA DA MORAL & BONS COSTUMES

O Início

O Frederico, que morava próximo a um campo de futebol onde tinha muito fumeiro, tocava em escola de samba e era colega de classe do Alemão. Esse era um roqueiro com suas influências no hard-rock dos anos 70, menino politizado cheio de ideais revolucionários e que ainda não tinha definido seu instrumento (tocava guitarra). Tinha estudado com o largura no Sesi onde praticavam handbol juntos e tinham o mesmo gosto musical. Entrou no Senai por último. O Bocca não era amigo de nenhum deles, curtia rock, porém já tinha um pé no punk. Também gostava de política e estudava em uma turma intermediária entre o Silvio /Frederico e o Largura. Com isso o estilo da Moral foi constituído. Talvez o caminho tenha sido escolhido por ter um pouco de cada um e ao mesmo tempo não ter nada a ver com nenhum.

O nascimento da Moral & Bons Costumes

O primeiro show da Moral & Bons Costumes foi em 1983, exatamente no dia 5 de novembro, em um festival interno no SENAI, onde todos os integrantes estudavam. O nome da banda nesta apresentação era Banda Zero Creditos E Os Pontos Negativos (uma sátira ao sistema de avaliação da escola e aos nomes dados às bandinhas da época: Kid Abelha E Os Abóboras Selvagens, por exemplo).

Participamos com três músicas: "A Morte Do Filho Pródigo", "Rock Do Limão" e "Noite Ensolarada Na Piscina de Nabuco" (as duas últimas eram plágios de duas músicas do Premê...). Além disso, fizemos a abertura de dois dias do evento, um com "Burrice Precoce" e o outro com "Concheta". Desde essa época, a Moral já realizava "performances" na maioria das músicas.

A formação da banda nestas primeiras apresentações era: Frederico na bateria, Largura na guitarra, Alemão na outra guitarra (não tínhamos contrabaixo ainda), Bocca no vocal, Norberto e Maravilha nos backing vocals, a participação especial do Kojac na performance de Concheta e Dante no violino na música “Noite ensolarada na piscina de Nabuco”.

O resultado, como esperado: não ganhamos porra nenhuma, mas demos inicio a uma longa jornada de festivais onde conseguimos continuar invictos "não ganhando porra nenhuma".

Primeiros passos (segundo o Bocca)

O nascimento da Moral se teve depois daquele festival onde, como já citado, não ganhamos nada. Porém a repercussão foi muito grande. Então resolvemos começar a participar de mais festivais. O nome da banda, no entanto, era muito regional, só quem era da escola compreendia. Então escolhemos outro nome. Não me lembro de quem foi a sugestão, porém foi aceito sem oposição. (Segundo o Frederico a sugestão foi do Alemão)

Com o batismo de Moral & Bons Costumes, começamos a procurar festivais. Porém, outra coisa perturbava a Moral: com que roupas iríamos nos apresentar? No 1º festival o único que trocava de roupa era eu (o Bocca). Então tentamos trazer um pouco da “tradição família e propriedade” ao palco: o Largura, com todo esse corpinho meigo, tocou como escoteiro, Silvio Alemão (apelido dado a ele não por causa da cor de seus cabelos e sim pela propaganda da Zacarias - Nestor , Gastão alemão - vestiu-se de padre, o Frederico não me lembro, e eu trocava de roupa conforme a música: em “Rock do Limão”, me vesti estilo rocker com um colar de um limão galego, e “Nabuco”, vestido meio zorro sem máscara e capa com um chifrinho luminoso escondido sobre um chapéu. Assim começou a jornada da Moral.

O primeiro disco

A Moral foi convidada por um estúdio de Santo André a participar de um projeto chamado “Garagem”, onde várias bandas iriam tocar ao vivo e as melhores músicas seriam escolhidas para fazer parte de um vinil. Porém, nada é normal para a Moral.

A Moral entrou no projeto, fez o 1º show com casa totalmente cheia e aguardou pra poder fazer a escolha das músicas. Daí veio a notícia de que, com essas músicas, não seria possível encaixar a Moral com outras bandas. Com isso, a Moral teve que fazer mais um show e gravar o vinil inteiro.

A Moral fez novamente um show de casa cheia e esperou pra começar a mixagem.

Depois de vários problemas técnicos, o estúdio disse que não tinha grana pra fazer a capa. Lá foi a Moral fazer mais dois shows em prol da capa do disco...

Com isso surgiu um disco sem produção alguma, com o nome de “Volume 4”, não só em homenagem aos grandes discos com esse título (Led e Sabath), mas porque foram necessários 4 shows pra gravá-lo.

Depois de tudo quase pronto, o lançamento do disco da Moral foi marcado. Como o estúdio não conseguiu entregar a capa em tempo, o lançamento foi dividido em dois: o lançamento do disco e o lançamento da capa do disco.

Depois de tudo isso, a proposta indecente: o estúdio informou que a Moral teria apenas 15% do valor do disco que foi totalmente financiado por ela mesma! Resumindo: enfia no cu essa merda!!!

E assim foi lançado o vinil, porém não foi distribuído. Algumas cópias foram vendidas em shows e o resto das 1000 cópias ficaram entaladas no estúdio.

O segundo disco

Devido a mudanças na formação da Moral (músicos novos) esta necessitava um estímulo (shows). A Moral foi tocar numa faculdade de Ribeirão pra estrear o novo integrante. O show aconteceu e novos espaços foram se abrindo. Com isso, pintou a idéia de gravar um CD, este não ao vivo, e começar a trabalhar melhor as músicas.

Faríamos alguns arranjos novos, convidaríamos alguns instrumentistas e arranjaríamos algum produtor (peça chave pra se ter um bom produto final).

Este CD foi feito com o maior critério individual possível. Porém o produtor escolhido não conhecia e nem entendia qual era o foco da Moral. Dessa maneira, o trabalho saiu depois de um desgaste imenso e o resultado final não agradou. Tentamos então levar este trabalho a algumas produtoras, chegamos a entregá-lo na Eldorado, que na época estava abrindo algumas portas para música alternativa. Depois de esperar alguns meses, veio uma resposta até hoje não muito bem digerida pela Moral:

"Se não fosse o lançamento dos Mamonas, apostaríamos em vocês , pois, apesar do som ser completamente diferente, a questão do humor está em alta e viria a comparação...”

Depois disto houve um desanimo geral. Da banda original só restaram o Bocca e o Largura.

Como chegamos aqui

Depois de algum tempo, o Bocca foi procurar o Frederico, o baterista com o verdadeiro espírito da Moral. O Alemão também voltou. Com a formação original reunida, a Moral voltou com força total em festas, shows e festivais. O Alemão, no entanto, deixou novamente a banda por motivos profissionais. A Moral já tinha iniciado a gravação de um disco num estúdio pertencente a um baixista, Marcus Torrada. Esse então assumiu o contrabaixo e a Moral é o que é hoje: Frederico, Torrada, Bocca e Largura.

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Paranga de Castelo - A Compra da Primeira Bateria

Após alguns meses de banda, e participando intensamente de vários festivais estudantis, sem bateria não dava mais pra ficar.

“Então o que fazer?” (Frederico, o bem loco - essa é outra história)

É claro, seu burro, comprar uma!” (Bocca, o criatura bruta - essa é outra história)

Tá, mas com que grana? Que grana, caralho? ” (Largura, o Salin - essa é outra história)

Eu tenho a solução.” (Alemão, o filho da mãe dele - essa é...bem sê já sabe)

Como sempre, ninguém deu bola, mas no fim, ouvimos o que o Alemão tinha a dizer. O pai do Alemão estava no ramo paralelo de engarrafamento e comercialização de bebidas importadas. Desviou uma garrafa de “Balla 12”, e fizemos uma rifa na escola.

Devido à causa nobre, vendemos rapidamente a rifa. Por ter sido assim, colocamos mais alguns números a venda, o que causou muitos protestos, e então encerramos as negociações, e abrimos a rifa. Quem ganhou, foi o Stankievsk, um dos maiores bocas de litro do Senai. Por mais incrível que pareça, não quis a garrafa, que ficou no carro do Alemão, o que já emenda em outra história, que depois contamos.

Com o dinheiro na mão, começamos a procurar uma bateria usada. Era pouca grana, e as baterias que apareciam eram bem estouradas. Neste momento, Frederico Alfredo Rossi, que até então nada tinha feito, teve uma excelente idéia.

“Meu, joga a grana na minha mão, que eu vou comprar uma "coisa", misturo com sotocarda e bosta seca de vaca, e vendo tudo pro Norberto e pros amigos dele, dobrando essa verba”.

A idéia era excelente, se na época o Frederico não fosse tão chegado na "coisa". Como a situação tava braba, a turma resolveu arriscar.

Com a grana na mão, Frederico não teve dificuldades para adquirir a mercadoria. Para saber o grau de mistura que poderia agregar ao produto, sem dúvida nenhuma teria que experimentar, a fim de determinar o quão pura era a droga. Êta degustação demorada, sô! Após definir o percentual de mistura, metade da coisa já tinha sido utilizada.

“Agora fudeu... a mistura tem que ser grande, pra dar volume e recuperar o investimento .”

Material pra misturar não faltou. O Pablo ajudou a coletar a sotocarda no Senai, e a apresentação do produto foi bem feita, com papel alumínio e tudo. A entrega da coisa foi no metrô Paraíso.

Resumo da ópera:

• A grana devolvida aos cofres da Moral foi a mesma que saiu.

• Vale lembrar, que a inflação na época era de 80% ao mês, como bem salientou o Largura;

• Compramos a bateria que deu, e o Frederico se virou para reformá-la;

• Frederico, para manter sua integridade física, jamais voltou ao bairro do Paraíso.

É interessante lembrar que o resto da grana (para comprar a batera) foi arrumada com o único festival que Moral ganhou. Lógico que não foi em grana e nem em fumo, foi uma bolsa de estudos a qual tivemos mais trabalho pra vender do que pra ganhar o festival.

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A HISTÓRIA DA BETERRABA

Segundo Ricardo Bocca

Em 1983 ou 84, eu e um amigo chamado Banha fomos a uma festa na casa de um outro camarada. Até aí tudo normal. Porém esta festa seria diferente: ia estar cheia de cabeludos e, principalmente, uma mulherada mais liberal (pelo menos essa era a nossa idéia na época).

Chegando à festa onde, pensávamos, ouviríamos muito rock, encontramos uma sonoridade estranha... Alias, tudo e todos naquele lugar eram estranhos. Parece que todos os cabeludos falavam mole. Não podiam ser drogas pois a festa havia acabado de começar e a galera estava toda meio "quadro a quadro". Tudo bem, afinal era uma festa diferente e iríamos encontrar pessoas diferentes (só que a galera estava mais pra esquisita que diferente). O som não agradava, a bebida era fraca, mulher tinha pouca. De repente um pseudomaluco pediu um violão para fazer um som.

Puta que pariu finalmente alguém estava tomando alguma providencia pra tentar salvar aquele sábado! Procura daqui e dali e não existia nenhum violão na festa. Com o intuito de tentar animar aquilo que já tinha ido pro vinagre, nos prontificamos a ir buscar o violão na casa do Banha.

O violão não era dele, até porque ele não tocava nada. Tava tentando tirar uma musica do Led (será que preciso dar o nome dela?), então pegamos o Violão e voltamos correndo pra festa. No caminho já estávamos combinando que músicas íamos pedir pro cabeludo: tudo de hard-rock que ouvíamos e mais um pouco...

Entregamos o violão pro cidadão que, acompanhado de um outro fulano com um bongô, começaria o show.

O cara fez dois acordes (não me lembro quais), o cara do bongô deu uns tapinhas no instrumento e toda a galera em volta começou a balançar a cabeça e dizer:

- Ô bicho, mó som ó...

- É cara, podes crer...!

Automaticamente olhei pro Banha e senti: pagamos um mico! Esses porras não vão tocar nada.

Então em protesto e sem combinar o Banha pediu (pediu não, tomou!) o violão do cara e disse que também ia levar um som. Eu sabia que dali nada sairia, mas depois de um mico pago, o que é mais um?

Pedi o bongô do cara, fiquei esperando o Banha colocar os dedos nos respectivos lugares e começar a tocar e acompanhei com o bongô sem saber pra onde aquilo ia nos levar.

Com um ré muito magro repetido várias vezes com muita dificuldade, o Banha começou uma melodia:

”E o sol no expoente e o céu sempre crescente...”

Sentindo que aquela merda era uma forma de cobrar o mico que havíamos pagado, entrei no clima a ajudei a formar a letra.

”Beterraba é legal porque nunca me faz mal

Beterraba é descente faz bem pra gente”

Qual não foi o espanto que quando terminamos e, já prontos pra mandar meia dúzia tomar no cu, ouvimos:

- Ô bicho, mó som ó...

- É cara, podes crer...!

Desde então a palavra beterraba tem um sentido diferente.

”Beterraba” no dicionário da Moral & Bons Costumes significa:

Galera que curte um som de raiz, com fala sempre mole, sempre carente (do tipo que sente saudade de um amigo após 15 minutos de ausência do mesmo) amante da natureza, tomadores de chá, e afins.

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OLHA, SEM AS MÃOS!

Por Ricardo Bocca

Tínhamos na nossa agenda um show em Santo André em um sábado à noite, para ser mais exato na escola Júlio de Mesquita, onde ocorreria um festival. A Moral se convidou pra fazer a abertura, um show curto com poucas músicas, um show sem muitos comentários.

Neste show da Banda participaram os performáticos Pancho e Lão, que lá sentiram um certo medo ao ver a platéia repleta de pessoas de outras tribos (punks, rockers, etc.). No show a única ocorrência que marcou foi o fato de causarmos entre os punks presentes uma euforia desgovernada com certo teor de ira (no momento em que tocávamos "Kiss Me Cueca", onde os performáticos entravam fazendo um strip tirando várias cuecas e as jogavam na platéia). Realmente aquele show quase não acabou bem...

Na hora de irmos embora estávamos os quatros mosqueteiros da Moral (Alemão, Frederico, Largura, Bocca) além da Solange, a Rosangela, o Baby, o Pneu da Carda (apelido de um gordinho xarope do SENAI), o Norberto e por último o The Blue, além de toda a aparelhagem (guitarra, baixo, caixa de bateria, pedais, cabos, pratos e ferragens). O primeiro destino era a casa do Bocca.

Depois de ajeitar toda a aparelhagem dentro do fusca do Alemão, começamos a maratona de colocar 10 pessoas dentro do fusca...

Depois de alguns minutos constatamos a lei da física que declara ser impossível dois corpos ocuparem o mesmo lugar no espaço. Portanto refletimos que o carro tem dois lados: o de dentro e o de fora, e logo começamos a montar no carro do Alemão nosso "carro abre alas".

Dentro ficou o Alemão dirigindo e sendo perturbado sexualmente pela Rosângela que se encontrava no banco de trás, juntamente com o Pneu da Carda, The Blue e a Solange. Já no banco da frente, junto com a aparelhagem, tínhamos o Baby. Do outro lado do carro - o lado de fora - tínhamos o Frederico e o Norberto em cima do para choque traseiro e o Bocca e o Largura debruçados no capô do fusca, suspenso pelo pára-choque e segurando nos quebra ventos. Assim viemos da escola Júlio de Mesquita no centro de Santo André até a casa do Bocca, que era próxima ao hospital Bartira, exatamente 9 km de perturbação ao trânsito local. De lá surgiu a expressão utilizada pela Moral por um bom tempo: "olha, sem as mãos!". Neste caminho não tão longo, porém muito próximo de se transformar em eterno ou último, passamos em frente ao Kaskatas Club, uma danceteria onde sempre havia polícia na porta, pois a barra sempre pesava por lá. Subimos a Rua Oratório e alguém do carro que com certeza não era eu, pois estávamos andando de ré, avistou a viatura da polícia e pediu para o Alemão parar o carro, o qual só o fez a uns 200 metros da viatura (não ouvia nada, pois estava com o ouvido esquentando a orelha da Rosangela). Todos os que estavam fora do carro desceram e passamos pelos guardas andando levemente, como nada estivesse ocorrendo. Vale lembrar que estávamos com a roupa de show, que não era nada convencional nem para o local nem para o horário. A cena, para os policiais que estavam comendo um lanche, foi tão absurda que, ao cumprimentá-los, eles se olharam e nem responderam.

Depois disso voltamos à formação original e seguimos rumo a minha casa. Tudo estaria perfeito se não fosse uma valeta a 50 metros de nosso destino que acabou com o escapamento do carro do Alemão além do para choque traseiro.

Terminamos a noite achando o Alemão um cara esquisito, pois ele foi o único que ficou de cara amarrada por alguns dias com esta aventura intitulada por ele como "presepada".

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O que é isto?

Por Frederico Alfredo Rossi

Nos momentos de folga do SENAI, eu, o Alemão, o Sungão, o Lebre, o Carlão Cocada, o Sueli, o Élson, o Zelão, o Pablo, o Juan, o Marlos, o Galego e a Biro Biro, a Cristininha, a Tereza, a Rósangela, a Cidinha, a Regiane e a Tangão, íamos tomar café no estabelecimento do seu Manoel Português.

O boteco era um lixo, mas o tratamento era legal, o pão-com-manteiga fresquinho, e o pingado sempre quente. O preço também compensava, mas fiado jamais! Era regra do bar.

Um certo dia, o Carlão Cocada, que era meio redondo de tanto comer, saiu sem pagar, pois alguém pagaria para ele. Então, o seu Manoel, como um galo Luso no auge da forma, saltou por sobre o balcão, avançou pela calçada, e saiu aos berros:

− Ó pch, ó pch, ó gurdínhu...... ó gurdínhu...... vaish me pagaire, ó p’lantra, vai te embora ó rapaish!

Algumas coisas no bar eram de impressionar. Na entrada, uma Nossa Senhora de Fátima tão engordurada, que nem se ela quisesse faria qualquer milagre. Uns potes de doces, muito, mas muito velhos. Era a mesma paçoquinha há anos. E os torresmos... aahh, os torresmos deviam ser de algum bicho pré-histórico.

O que mais nos intrigava era um enorme pote de vidro com um líquido dentro e alguns vegetais boiando. Eu ficava olhando aquele vidro, após uma sessão de Ioga Entorpecente, e podia e posso jurar que os vegetais estavam se movendo, com vida própria. O Pablo e o Juan também juram.

A gente sempre sacaneava o seu Manoel, mas tínhamos uma certa reserva em tocar no assunto daquele pote de vidro. O que seria aquilo? Uma simpatia? Uma mandinga? Os restos mortais de sua mãe trazidos do velho mundo? Um remédio para curar gagueira?

Não... não podia ser... nos recusávamos a acreditar que aquilo fazia parte dos quitutes oferecidos por nosso amigo Lusitano à sua minguada freguesia. A única forma era perguntar, e então o Pablo se prontificou e lançou a questão:

− Seu Manoel............. que porra é essa?

− Ora poish, ichto ǽ Piclesh..........ichto con uma c’rveja vai bain que é uma coisa!!!

Por essas e outras, quando perguntam para a Moral “O que é isto?”, e não estamos muito a fim de explicar, logo respondemos: ISTO É PICLES!

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São Tantas Recomendações... - Show Para Empresa

Após tocar muito em festas, a moral arrumou uma empresa que fazia eventos em hotéis que sempre precisava de bandas para todo o tipo de ocasião, lançamento de produtos, convenções e assim por diante. Nada de anormal ate aí, pois o estilo da banda permite que façamos também essa presepada.

Foi então que este esse nosso empresário “caixa dagua” arrumou dois shows em um hotel em Atibaia para a convenção de uma grande empresa de produtos de limpeza.

A moral se organizou, preparou seu repertório, ensaiou e fomos ao evento. No caminho o caixa dagua ficou a viajem inteira solicitando que nós da banda zoássemos muito, mas muito, com o pessoal da convenção. De imediato ele foi advertido pelos integrantes que essa não era uma boa idéia. Isso porque, quando nos seguramos pra não fazer besteira a merda já é grande, imagine soltando tudo, liberando geral!

Da mesma forma que o caixa dagua solicitava, ele era avisado, mas o mesmo insistia dizendo:

“Bocca, pode zoar ein? Eu chamei vocês aqui pra isso, pode zoar tudo e todos.”

Ok! Chegamos ao hotel e fomos levados até o local onde haveria a apresentação. Lá também ouvimos da pessoa que organizava o evento a mesma recomendação “gente é pra zoar bastante viu” dizia a gerente.

Era o restaurante do hotel, grande, bonito, requintado, um luxo, porém pensamos: que merda! Como vamos cantar falando em sogra, merda, foda, cocô, além de outras palavras escatológicas, enquanto o pessoal come?

Resolvemos então passar o som e esperar o povo comer antes de nos apresentarmos, afinal não ia pegar bem...

Depois do jantar a banda entrou e começou a apresentação. Era uma convenção do pessoal da área comercial de uma marca de produto de limpeza. Várias mesas grandes cheias de pessoas, todas ou quase todas “de social” com aquele ar de imponência.

Começamos e tocar um Brega da Gerusa daqui, um Nem na Orelha dali, uns gostando outros não entendendo, mas o show ia caminhando de uma forma tranqüila e animada. Foi quando o Bocca lembrou das recomendações do caixa dagua e da gerente do hotel, bem na hora de tocar a música Maricon (com toda a performance que lhe é peculiar).

“Bem pessoal, que maravilha estar aqui com vocês! Eu gostaria de fazer uma pergunta simples a todos os presentes: quem é o Bom da Boca aqui?”

Uns apontavam para os outros parecendo até que ninguém mandava naquela merda. Acho que estavam obedecendo ao organograma da empresa: o assistente de vendas apontou pro vendedor, que apontou pro seu gerente e assim vai...

“Não galera vocês não entenderam: quero saber quem é o cara aqui? Quem é o cara mais fudido, o que manda e desmanda nesta merda?” Aí sim todos apontaram para um senhor de bigode (que azar o dele!), estilo zorro, todo sério sentado ao lado de um monte de puxa saco. Foi então que o Bocca solicitou à banda que começasse a música. Enquanto a parte instrumental começava, o Bocca começou a tirar a roupa: primeiro a camisa, ficando com o peito nu, depois a calça onde embaixo existia uma calça bailarina pink completamente aviadada (que pleonasmo!), ficando então de calça pink, bota pink e plumas também na mesma cor em seu pescoço. Foi então que ele seguiu até a mesa do homem mais fudido do jantar, deitou sobre a mesa e começou a cantar... A quantidade de flashs de máquinas fotográficas naquele instante se compara apenas aos do pênalti do milésimo gol de Pelé. Creio que todos os presentes tinham uma máquina... E o Bocca cantava: “eu troco seus cabelos bonitos por um par de pernas peludas, seus lábios sensuais e carnudos por um braço forte e massudo, o seu corpo bronzeado por um bigode bem aparado”... O restaurante foi à loucura. A impressão que se tinha é que todos, mas todos mesmo, estavam adorando aquilo que estava acontecendo com “O Cara”, menos o caixa dagua e a gerente, além do zorro, é claro! E assim foi o primeiro show. Parece que depois da performance todos começaram a amar a Moral.

No dia seguinte tínhamos um novo show para a mesma convenção e, por incrível que pareça, tinha muito mais gente pra assistir. Porém (aaaai, porém!!) “O cara”, que era a pessoa mais esperada, não apareceu.

Ah, o nível de recomendações para este show também foi recorde!

“Pelo amor de Deus pede pro Bocca não falar mais palavrão!“

“... avisa ele pra não mexer com o diretor, quase o cara cancela o evento no meio, tamanha a vergonha que ele sentiu...”

“Olha gente, não precisa pegar tão pesado nos gestos...”.

E assim caminha a humanidade, não sabe o que quer...

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